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Mostrando postagens de maio, 2011

A FALTA QUE ELA ME FAZ.

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Aos cinquenta anos me descobri portador de TDAH. Seis meses após o diagnóstico, premido pela falta de dinheiro, resolvi mudar de vida; apostei tudo em uma nova profissão. Fui estudar e após muito esforço e dedicação habilitei-me em técnico em manutenção de celulares e câmeras digitais. Segundo as palavras de meu pai, que transcrevo literalmente: ‘ Alexandre, eu jamais imaginei que um dia eu fosse   ver você fazendo um trabalho desses.’ Confesso que nem eu. Jamais em minha vida cogitei trabalhar em algo que exigisse tanta atenção, tanta paciência, tanta concentração. Ontem foi um dia muito significativo. Graças a Deus, tenho tido muito serviço, mas muito mesmo, passo o dia inteiro no meu laboratório trabalhando. Ontem, depois do almoço, peguei um trabalho particularmente complexo, e o pior, o meu tempo para entregá-lo se esgotava em poucas horas. Apesar de me considerar um bom profissional, ainda sou lento; em virtude de minha menor experiência penso mais, consulto mais. Bem, mer...

A FALTA QUE ELA ME FAZ.

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Aos cinquenta anos me descobri portador de TDAH. Seis meses após o diagnóstico, premido pela falta de dinheiro, resolvi mudar de vida; apostei tudo em uma nova profissão. Fui estudar e após muito esforço e dedicação habilitei-me em técnico em manutenção de celulares e câmeras digitais. Segundo as palavras de meu pai, que transcrevo literalmente: ‘ Alexandre, eu jamais imaginei que um dia eu fosse   ver você fazendo um trabalho desses.’ Confesso que nem eu. Jamais em minha vida cogitei trabalhar em algo que exigisse tanta atenção, tanta paciência, tanta concentração. Ontem foi um dia muito significativo. Graças a Deus, tenho tido muito serviço, mas muito mesmo, passo o dia inteiro no meu laboratório trabalhando. Ontem, depois do almoço, peguei um trabalho particularmente complexo, e o pior, o meu tempo para entregá-lo se esgotava em poucas horas. Apesar de me considerar um bom profissional, ainda sou lento; em virtude de minha menor experiência penso mais, consulto mais. Bem, mer...

A MONTANHA RUSSA DO TRATAMENTO DO TDAH.

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No princípio foi a perplexidade Uma doença Depois a revolta; por que tão tarde? Por que não descobri a tempo de mudar minha vida? Depois a consciência de que ainda tenho muita vida a viver. E a mudar. E veio o tratamento. E a esperança de que tudo mudaria como num passe de mágica. E não mudou. E veio a decepção, o desinteresse, a vontade de abandonar o tratamento. A ritalina não resolve, não sinto seus efeitos . Por fim, comecei a ter consciência de que a mudança é um processo. Um passo após o outro. O exercício da paciência. O fino véu que me cobria a vida começa aos poucos a desaparecer. Mudanças de perspectiva, de padrão mental. Os frutos da persistência começam a ser colhidos. Mas tenho a certeza de que a vigilância deve ser permanente. Carrego dentro de mim o inimigo; ele hiberna, mas não está morto. Apenas aguarda que eu baixe a guarda para atacar de novo. Paciência, motivação, vigilância. Isso resulta em auto estima, amor próprio, vontade de viver melhor. ...

A MONTANHA RUSSA DO TRATAMENTO DO TDAH.

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No princípio foi a perplexidade Uma doença Depois a revolta; por que tão tarde? Por que não descobri a tempo de mudar minha vida? Depois a consciência de que ainda tenho muita vida a viver. E a mudar. E veio o tratamento. E a esperança de que tudo mudaria como num passe de mágica. E não mudou. E veio a decepção, o desinteresse, a vontade de abandonar o tratamento. A ritalina não resolve, não sinto seus efeitos . Por fim, comecei a ter consciência de que a mudança é um processo. Um passo após o outro. O exercício da paciência. O fino véu que me cobria a vida começa aos poucos a desaparecer. Mudanças de perspectiva, de padrão mental. Os frutos da persistência começam a ser colhidos. Mas tenho a certeza de que a vigilância deve ser permanente. Carrego dentro de mim o inimigo; ele hiberna, mas não está morto. Apenas aguarda que eu baixe a guarda para atacar de novo. Paciência, motivação, vigilância. Isso resulta em auto estima, amor próprio, vontade de viver melhor. ...

UM CASO VERÍDICO DE AUTO SABOTAGEM.

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Com um mês de tratamento eu já estava decepcionado com os resultados e disposto a abandonar a ritalina. Nada mais TDAH. Ao longo da vida nos sabotamos inventando mil desculpas para deixar de fazer aquilo que nos beneficiará a longo prazo.Graças à Valéria e à Luciana ( minhas duas 'anjas') me mantive no tratamento e hoje colho os resultados. Nos últimos dias tenho percebido uma mudança grande em meu comportamento mental, aos poucos os pensamentos derrotistas vão abandonando minha vida. A eterna sensação de que tudo vai dar errado, de que sou um completo incompetente, de que vai ser um fracasso como em todas as outras vezes, desmanchou-se aos poucos de maneira quase imperceptível.  Venho observando extasiado  essa mudança: acredito mais em mim, nas minhas possibilidades, nas minhas iniciativas. Ontem, um fato me chamou a atenção e inspirou este post: uma pessoa querida abandonou o tratamento completamente. Vi em seu comportamento a atitude de auto sabotagem que tanto caracter...

UM CASO VERÍDICO DE AUTO SABOTAGEM.

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Com um mês de tratamento eu já estava decepcionado com os resultados e disposto a abandonar a ritalina. Nada mais TDAH. Ao longo da vida nos sabotamos inventando mil desculpas para deixar de fazer aquilo que nos beneficiará a longo prazo.Graças à Valéria e à Luciana ( minhas duas 'anjas') me mantive no tratamento e hoje colho os resultados. Nos últimos dias tenho percebido uma mudança grande em meu comportamento mental, aos poucos os pensamentos derrotistas vão abandonando minha vida. A eterna sensação de que tudo vai dar errado, de que sou um completo incompetente, de que vai ser um fracasso como em todas as outras vezes, desmanchou-se aos poucos de maneira quase imperceptível.  Venho observando extasiado  essa mudança: acredito mais em mim, nas minhas possibilidades, nas minhas iniciativas. Ontem, um fato me chamou a atenção e inspirou este post: uma pessoa querida abandonou o tratamento completamente. Vi em seu comportamento a atitude de auto sabotagem que tanto caracter...

LEMBRANÇAS HIPERATIVAS.

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Vi uma cena hoje que me levou de volta à minha doce infância. Uma criança - que pela distância não consegui definir se era menino ou menina - se debatia e urrava no colo de uma pobre mãe desesperada. Próximas a mim duas senhoras estavam penalizadas com o choro da criança. Na mesma hora pensei na injustiça da cena; uma pobre mãe em luta com uma criança feroz e ainda por cima é criticada. Lembrei-me de certa vez em que fui a um parque de diversões. Estamos falando da década de sessenta, um parque de diversão era uma raridade, um paraíso para um menino endiabrado. Eu entrei no carrinho de batidas e não queria sair, nem mesmo depois de parado; quando vi que não poderia continuar ali saí correndo em direção a outro brinquedo. Assim fiz algumas vezes, até que chegou a hora de ir embora. E não concordei com aquela decisão familiar. Me recusei terminantemente a sair; agarrei-me às grades de um brinquedo qualquer e fiz um escândalo digno de uma criança maltratada. Meus pais tiveram de me a...

LEMBRANÇAS HIPERATIVAS.

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Vi uma cena hoje que me levou de volta à minha doce infância. Uma criança - que pela distância não consegui definir se era menino ou menina - se debatia e urrava no colo de uma pobre mãe desesperada. Próximas a mim duas senhoras estavam penalizadas com o choro da criança. Na mesma hora pensei na injustiça da cena; uma pobre mãe em luta com uma criança feroz e ainda por cima é criticada. Lembrei-me de certa vez em que fui a um parque de diversões. Estamos falando da década de sessenta, um parque de diversão era uma raridade, um paraíso para um menino endiabrado. Eu entrei no carrinho de batidas e não queria sair, nem mesmo depois de parado; quando vi que não poderia continuar ali saí correndo em direção a outro brinquedo. Assim fiz algumas vezes, até que chegou a hora de ir embora. E não concordei com aquela decisão familiar. Me recusei terminantemente a sair; agarrei-me às grades de um brinquedo qualquer e fiz um escândalo digno de uma criança maltratada. Meus pais tiveram de me a...

O TDAH E A GESTÃO DO TEMPO: ENTRE A PRODUTIVIDADE E A VIDA.

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              Nota do Autor 2026: Ao reler este texto em 2026, percebo que a "falta de tempo" era, na verdade, a dificuldade crônica de priorizar que o TDAH nos impõe. O dilema entre dormir e viver continua aqui, mas hoje entendo que o sax e a literatura não são "sobras" do dia, são o que mantém o edifício em pé. Se você também se sente roubado pelo relógio, saiba: a culpa não é sua, é da nossa arquitetura mental. A Matemática Impossível do Microempresário TDAH Como dividir o dia? Pelo menos doze horas dedicadas ao trabalho. Sim, essa é a realidade de um micro empresário brasileiro. Uma média de seis horas de sono. Me sobram outras seis horas para tocar meu sax, escrever meu blog, saber as últimas do Botafogo, assistir House, Law and Order e CSI e o principal: conviver com minha família e as pessoas que gosto. Ler? Minha grande paixão está quase paralisada. Toco sax uma ou duas vezes por semana, há muito não aprendo uma nova música. Meus vizinhos ...

O TDAH E A GESTÃO DO TEMPO: ENTRE A PRODUTIVIDADE E A VIDA.

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              Nota do Autor 2026: Ao reler este texto em 2026, percebo que a "falta de tempo" era, na verdade, a dificuldade crônica de priorizar que o TDAH nos impõe. O dilema entre dormir e viver continua aqui, mas hoje entendo que o sax e a literatura não são "sobras" do dia, são o que mantém o edifício em pé. Se você também se sente roubado pelo relógio, saiba: a culpa não é sua, é da nossa arquitetura mental. A Matemática Impossível do Microempresário TDAH Como dividir o dia? Pelo menos doze horas dedicadas ao trabalho. Sim, essa é a realidade de um micro empresário brasileiro. Uma média de seis horas de sono. Me sobram outras seis horas para tocar meu sax, escrever meu blog, saber as últimas do Botafogo, assistir House, Law and Order e CSI e o principal: conviver com minha família e as pessoas que gosto. Ler? Minha grande paixão está quase paralisada. Toco sax uma ou duas vezes por semana, há muito não aprendo uma nova música. Meus vizinhos ...

ESTOU DE PÉ.

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Estou de pé. Quando todas as portas pareciam fechadas, uma se abriu. Uma porta de aparência frágil, pequenina, mas por ela entrei com todas as minhas esperanças. Atrás dela estava toda uma vida nova. Uma nova profissão, um novo rumo, novas sensações. De volta o frio na barriga, a ansiedade pela estréia, o prazer do primeiro cliente. Na quinta feira, às 17 horas, nasceu a MAXXTEL. Por inspiração, sugestão, visão e articulação de uma pessoa querida, começo uma vida completamente diferente. Uma vida que jamais havia sonhado. Pra ela tive de me preparar, fazer cursos, estudar, e assumir uma postura completamente diferente. Aí entra o tratamento do TDAH. Fiz cursos e me preparei para técnico em celulares e câmeras digitais. Jamais imaginei ter tamanha paciência. Fazer e refazer infinitas vezes o mesmo trabalho sem me irritar ou atirar longe o aparelho. Conviver com a frustração de não conseguir solucionar o problema e reiniciar quantas vezes forem necessárias até descobri-lo. A...

ESTOU DE PÉ.

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Estou de pé. Quando todas as portas pareciam fechadas, uma se abriu. Uma porta de aparência frágil, pequenina, mas por ela entrei com todas as minhas esperanças. Atrás dela estava toda uma vida nova. Uma nova profissão, um novo rumo, novas sensações. De volta o frio na barriga, a ansiedade pela estréia, o prazer do primeiro cliente. Na quinta feira, às 17 horas, nasceu a MAXXTEL. Por inspiração, sugestão, visão e articulação de uma pessoa querida, começo uma vida completamente diferente. Uma vida que jamais havia sonhado. Pra ela tive de me preparar, fazer cursos, estudar, e assumir uma postura completamente diferente. Aí entra o tratamento do TDAH. Fiz cursos e me preparei para técnico em celulares e câmeras digitais. Jamais imaginei ter tamanha paciência. Fazer e refazer infinitas vezes o mesmo trabalho sem me irritar ou atirar longe o aparelho. Conviver com a frustração de não conseguir solucionar o problema e reiniciar quantas vezes forem necessárias até descobri-lo. A...