A FALTA QUE ELA ME FAZ.
Aos cinquenta anos me descobri portador de TDAH. Seis meses após o diagnóstico, premido pela falta de dinheiro, resolvi mudar de vida; apostei tudo em uma nova profissão. Fui estudar e após muito esforço e dedicação habilitei-me em técnico em manutenção de celulares e câmeras digitais. Segundo as palavras de meu pai, que transcrevo literalmente: ‘ Alexandre, eu jamais imaginei que um dia eu fosse ver você fazendo um trabalho desses.’ Confesso que nem eu. Jamais em minha vida cogitei trabalhar em algo que exigisse tanta atenção, tanta paciência, tanta concentração. Ontem foi um dia muito significativo. Graças a Deus, tenho tido muito serviço, mas muito mesmo, passo o dia inteiro no meu laboratório trabalhando. Ontem, depois do almoço, peguei um trabalho particularmente complexo, e o pior, o meu tempo para entregá-lo se esgotava em poucas horas. Apesar de me considerar um bom profissional, ainda sou lento; em virtude de minha menor experiência penso mais, consulto mais. Bem, mer...