Parece recomeço. Mas é renascimento. Tudo é novo; um novo voo. Não há memória... E você me pergunta: Como não se lembra? Lembro como foto, não como vida. Lembro como imagem, não como sentimento. Estou pronto para sentir tudo aquilo de novo, mesmo que objetivamente saiba o que já vivenciei, minha mente não está preparada para repelir ou confrontar esse sentimento ou essa vivência. Sigo adiante como se não existisse escolha. Impávido, indiferente às dores, imune à galhofa dos trouxas cuja vida é uma mera superposição de enfados e mesmices. Não, cada sentimento é único, cada sabor é o primeiro, cada arrepiar da pele é surpreendente como se fosse a primeira emoção. De nada adiantam agressões, traições, insultos, humilhações... Sobrevivo incólume, com o coração leve e a mente convulsionada de pensamentos e imagens intermináveis, que não abrem espa...