TDAH, UMA BATALHA ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS: Impulsividade e autoconhecimento.

(Nota de atualização 2025: Este texto discute a importância de reconhecer as próprias limitações e como o autoconhecimento, longe de ser algo abstrato, é a ferramenta que nos permite decidir entre o impulso destruidor e a preservação de quem somos.)
Mais um post surgido dos comentários dos leitores do blog.
Em dois comentários diferentes, dois leitores me levaram a pensar no mesmo tema: o auto conhecimento.
Afinal de contas, o que é isso?
Isso serve pra alguma coisa?
Sempre relacionei auto conhecimento com um chinês de longas barbas, túnica branca e morador de uma erma gruta no interior da China. E sinceramente, nunca achei que isso tivesse qualquer utilidade prática.
Mas aí veio o diagnóstico de TDAH e eu descobri um sujeito que é meu xará, tem a minha cara e por enorme coincidência enfrenta os mesmos problemas que eu.
Descobrindo o "Eu" vs. O TDAH
Eu me descobri. Passei a prestar atenção em mim, em minhas reações, em meus comportamentos e isso aos poucos vai esculpindo uma imagem de mim mesmo que eu não conhecia. Estou aprendendo a conhecer meus limites, a reconhecer minhas virtudes e a descobrir características de personalidade que eu desconhecia.
Quando você passa a conhecer-se melhor, você passa também a enxergar o TDAH agindo, você não se reconhece naquele comportamento, aquela forma de agir ou pensar é uma forma sabotadora, é um comportamento externo.
A Realidade do Tratamento e a Disciplina
Num desses comentários discutíamos a possibilidade de 'domar' o TDAH sem o medicamento e minha resposta foi exatamente essa: eu me conheço o bastante para saber que não tenho disciplina suficiente para tratar-me sem a ação do medicamento. Um leitor concordou comigo; são características fortes do TDAH a indisciplina e a inconstância, exatamente o oposto do proposto pelo comentário que originou toda a discussão, nele a leitora afirma conseguir reconhecer os comportamentos do TDAH e neutralizá-los sem o apoio medicamentoso.
Esse seria o primeiro passo para sabotar meu tratamento. Pelas minhas característica (que eu aprendi a enxergar depois de velho) eu não teria disciplina e constância para agir dessa forma, portanto nem tento.
E não é apenas no tratamento do TDAH, sejamos práticos, pra que vou me matricular numa academia de ginástica ou num curso de inglês ? Não tenho disciplina pra isso. Se eu tivesse aplicado tudo o que gastei com matrículas em academias e cursos de línguas e informática eu compraria um carro zero.
Preciso estar em outro estágio do meu tratamento e de motivação para encarar esse tipo de tarefa.
O Anjo, o Demônio e a Fase do "Foda-se"
Em outro comentário a leitora diz que temos um diabinho e um anjinho nos induzindo a agir dessa ou daquela forma. De novo o auto conhecimento.
- Esse comportamento é meu?
- Esse destruidor sou eu?
- É isso que eu desejo para minha vida daqui pra frente?
Eu, sinceramente, já abandonei a fase do 'foda-se', depois eu vejo o que dá.
Já me atirei de abismos suficientes para não querer repetir esses comportamentos. Feridas sobre feridas doem mais e demoram mais tempo para cicatrizar.
Portanto, quando me dá aquela vontade louca de arrasar tudo, de romper com tudo, eu paro e penso: o que eu quero pra minha vida?
Em última análise nossa vida é isso, uma grande batalhe entre anjos e demônios, no TDAH essa luta é anabolizada, principalmente para o lado do demônio. Existe uma tendência a optarmos pelo lado destruidor, o lado que parece acabar com o problema mais rapidamente, mas que acaba apenas ferindo o monstro que fica adormecido por um tempo e quando ressurge está de forças renovadas, maior e mais forte do que antes.; ou então, somos a vítima de nosso demônio e enfiamos em nossa própria carne o tridente fumegante do mal.
O autoconhecimento aliado ao tratamento médico é o caminho para equilibrar essa batalha. Saiba mais sobre o tratamento do TDAH na ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção
Gostei muito desse post ...
ResponderExcluiré o que acontece comigo diariamente e me surpreedi pra caramba porque acontece comigo e eu não acho palavras para expressar isso me entende?
Quando você falou sobre isso me fez refletir sobre esse comportamentos que nos DDA temos ....
é uma luta muito complicada, as pessoas "normais" não tem noção pelo o que a gente passa, as dificuldades que nós temos....
Pois é.... Adorei seu post ! ;D Obrigado
Pena que vc removeu seu comentário, ele virou um post. ou melhor dois posts. O segundo ainda estou decidindo se vou publicar.
ResponderExcluirObrigado por suas palavras de elogio e incentivo.
Um abraço e obrigado
Alexandre
Às vezes já contei até 10 para conter o impulso e no número 03 já mandei tudo pra pqp. E o controle? Pro beleleu...
ResponderExcluirÉ triste né?
ExcluirNinguém imagina a batalha interna por que passamos. Uma onda de irritação sobe pelo corpo como um tsunâmi e não conseguimos controlá-lo.
Eu tento, Deus sabe que eu tento, mas tem hora que é incontrolável.
Por isso JAMAIS terei uma arma.
um abraço
Alexandre
Estou desempregado... outra vez. O patrão que me contratou por não entender nada da minha função, que desempenho com mestria (modéstia às favas), decidiu me ensinar de como devia fazer... mandei para a pqp na hora... fiquei lá um mês.
ExcluirJá fiz tantas asneiras por ter agido por impulso. Pedi demissão de empregos, não poupei palavras para criticar clientes e colegas de trabalho, tudo apoiado pelo "Lado negro da foça". Não é fácil controlar este impeto.
ResponderExcluirTerminei relacionamentos sem medir qualquer consequência e muitas e muitas outras atitudes impensadas.
Ainda não tomo ritalina, mas quero começar este tratamento. Será que esta impetuosidade vai acabar ou diminuir?
A Ritalina não faz milagres, mas ajuda para que eles aconteçam. Além dela, passamos a nos policiar mais, a pensar mais. Eu tenho tentado, nem sempre com sucesso, pensar antes de falar e agir. No meu caso são 50 anos de TDAH contra apenas dois de tratamento, é difícil pra caramba, mas sinto que já evoluí, caminhei bastante. Não podemos imaginar que seremos perfeitos, ninguém é, nem os não portadores, mas temos de aprender a nos controlar. E isso é bastante possível.
ExcluirUm abraço
Alexandre
quem é realmente TDAH não existe conseguir controlar os sintomas sem o medicamento...ou seja a pessoa não é TDAH.....amei a tua frase :Eu, sinceramente, já abandonei a fase do 'foda-se', depois eu vejo o que dá.
ResponderExcluirJá me atirei de abismos suficientes para não querer repetir esses comportamentos. Feridas sobre feridas doem mais e demoram mais tempo para cicatrizar.
Portanto, quando me dá aquela vontade louca de arrasar tudo, de romper com tudo, eu paro e penso: o que eu quero pra minha vida?....
parabens alexandre...bjos
Oi Aninha, obrigado!
ExcluirEu acho que é impossível ficar sem remédio. É uma doença orgânica, não é um problema de personalidade. É claro que algumas medidas ajudam, como caminhar ajuda contra a hipertensão, mas sem remédio é muito complicado.
Bjs e um Feliz Natal
Alexandre
De tempos em tempos eu volto nesse post pra reler. À medida que vou lendo, meus olhos vão destacando frases, elas ficam maiores e em negrito. rs e vou repetindo dentro da minha cabeça: "SIM SIM SIM!!! ISSO MESMO! Alguém leu isso daqui? Não fui eu quem escreveu, mas está aqui, pessoas também sentem isso! São sintomas! E SIM! Eu agora aprendi a identificar melhor o que sou,o que quero e pra que vim, e sei brecar com mais eficiência aquela pessoa... que eu nunca quis ser...
ResponderExcluirExcelente texto. Daqui um tempo eu volto. rs
Grande abraço!
Ana.
Legal, Ana, seu comentário me fez reler o post e também encontrei coisas que havia esquecido, foram sepultadas pelo dia a dia. Adotarei essa prática agora, reler meus posts como uma forma de revolver o lodo que vai se acumulando em minha alma.
ExcluirObrigado, Ana, seus comentários foram muito importantes pra mim, espero revê-la ano que vem.
Abraços agradecidos e um
FELIZ ANO NOVOOOO!!!
Alexandre
A Ritalina no meu caso controlou muito minha impulsividade. Tenho como hiperatividade e impulsividade maior característica do meu TDAH. Ao começar a tomar a medicação percebi que a reação era de ouvir, racionalizar e depois verbalizar. Obviamente, entrei em um processo de auto conhecimento para tentar melhor em todos os aspectos. Pessoas do meu círculo social começaram a notar o meu comportamento diferente e até comecei a receber elogios. Tinha uma fama de briguento, sem limites, e que não respeitava a hierarquia dentro da empresa. Hoje, sou muito mais conhecido como uma pessoa tranquila, sempre disposta a ajudar e contribuir.
ResponderExcluirFui diagnosticado com tdah, comecei o tratamento com a ritallina, me mudou bastante tanto que eu não me reconhecia mais, senti falta do meu real eu. A ritallina me deixa tão tranquilo que as pessoas tentam se aproveitar. Desisti do tratamento .... Minha vida desabou de novo kkkkk comportamentos de riscos, brigas, drogas e também já trafiquei indo na onda... por mais coisas que eu tenha passado parece que o rótulo de moleque nunca sai de mim. Me identifiquei com o tsunami de irritação kkkkk eu estou lendo o que eu sou praticamente. Emoções neuroses a luta contra seus demônios internos... cara como eu queria ser normal. E as pessoas ainda acham que tdah é brincadeira ... já conquistei muita coisa na minha vida mas o que eu queria mesmo é me livrar dessa porcaria ...
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