TDAH POBRE COITADO





Basta uma situação um pouco mais complicada, basta um pouco mais de pressão e o padrão mental se repete:
_ E se eu, no auge dessa pressão a que estou submetido, tivesse um infarto ou um AVC? Seria perfeito, todos os problemas cessariam...
Quem de nós jamais se fez de vítima que atire a primeira pedra.
Não digo que externamos essa vontade, mas no fundo, lá no fundo, flertamos com a tragédia que mude o rumo de nossas vidas; e claro, nos tire o peso da vida dos ombros.
Mas você que me lê vai dizer:
_ Ora, mas isso é infantilidade!
Claro que é. Mas essa é uma das características do TDAH: a imaturidade!
Estamos sempre sonhando com soluções mágicas; desde um acontecimento fortuito que nos dê dinheiro, sucesso ou juízo, até um fato trágico que nos livre de arcar com as consequências de alguma besteira que tenhamos feito. Vestimos com perfeição o uniforme do pobre coitado. Aquele cujas vicissitudes iniciaram-se ainda na concepção; e nascemos TDAHs. Daí para frente fomos 'perseguidos' pela vida.
Ahhh, a tragédia libertadora! Uma doença, um atropelamento, um incidente qualquer resolveria nossos problemas. Mas claro, sem morte ou dano físico permanente. Apenas o suficiente para que ao passarmos na rua, um conhecido diga ao outro:
_ Bom sujeito, mas coitado, a vida lhe foi tão ingrata...
Seria o céu! A solução mágica com que sonhávamos.
Mas veja bem, a magia não está apenas na solução da nossa situação, mas também em manter-se em padrões de sofrimento e incapacidade que não nos acarrete dor excessiva ou demasiado longa.
Claro que esses pensamentos são de curta duração e nenhuma consequência. Sabemos, do alto de nossa imaturidade, que esses são pensamentos escapistas e absolutamente inexequíveis.
E seguimos a vida!
E continuamos aos trambolhões, de derrapagem em derrapagem, de sonho em sonho...
Se nos enrolamos financeiramente... Se agimos impulsivamente... Se falamos o que não devia...
Tentamos solucionar, não conseguimos; a situação se complica... Vem uma espécie de paralisia, de torpor... Muitos de nós fica absorto, de olhos fixos no nada... E a cabeça é imediatamente assaltada por esses pensamentos... Por um, dois, três minutos aquilo nos parece a melhor solução. Mas passa. Sacudimos a cabeça e vamos para a solução... Se ainda tiver solução.
Se não tiver... Bem... Já tomamos tantas pancadas, já ouvimos tantas críticas, que mais algumas não farão muita diferença.

Comentários

  1. nossa, é incrível como vc consegue descrever exatamente o que se passa na nossa mente....
    rss
    hoje mesmo pensei assim...
    estou passando por um problema com o marido, e me veio esse pensamento rss
    um carro vir e me atropelar kkk.... rir para não chorar...
    vc escreve muito bem

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    Respostas
    1. Exatamente, uma maneira de resolver nossos problemas; sem resolvê-los. Mas ficam com pena da gente... rsrsrsrs
      Um abração
      Alexandre

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  2. kkkkkkkkkkk, comentário super TDAH. É bem assim mesmo. Trate-se, Leonardo, a vida melhora muito.
    Um grande abraço e obrigado
    Alexandre

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  3. Muita Joys, veja o último post que publiquei: chama-se VIVA A RITALINA!
    Por aí vc imagina...

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  4. João Partilhando Um pouco3 de agosto de 2017 às 10:45

    Cara é assim mesmo,vc me descreveu, minha psicóloga disse que tinha TDA, sem hiperatividade, vc descreveu como me sinto, mas não tenho coragem de ir no psiquiatra e a psicóloga abandonei....

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  5. fico com receio de tomar, por isso não procurei o psiquiatra ..

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