TDAH NÃO É BRINCADEIRA!
Parece estar havendo uma nova e disfarçada campanha de desmoralização do TDAH. Pessoas bem intencionadas (ou não), andam divulgando possíveis características benéficas da doença para os portadores do Transtorno do Déficit de Atenção com (ou sem) Hiperatividade. Ora, isso é no mínimo desinformação; beirando muitas vezes a crueldade. TDAH é doença! Não existe nenhum tipo de benefício em doença nenhuma. O fato de existirem TDAHs de sucesso nada significa, essas pessoas alcançaram o sucesso APESAR do TDAH. E não graças a ele. Seria o mesmo que creditarmos à Esclerose Lateral Amiotrófica o brilhante trabalho científico de Stephen Hawking. Como o TDAH não causa alterações aparentes, nem físicas, nem comportamentais, uma grande parcela da população desacredita de sua existência ou de sua capacidade de causar danos em seus portadores.
Carregamos nosso inimigo dentro de nós mesmos, dentro de nossas mentes. Passamos a vida nos auto sabotando, abandonando projetos e pessoas, malbaratando o que ganhamos, vendo a vida escorrer entre nossos dedos enquanto colegas com muito menos capacidade intelectual constroem carreiras sólidas e vidas estáveis. Nossa criatividade e impulsividade são muito legais aos dezoito anos, aos quarenta começamos a nos dar conta do quanto estragamos nossa vida. Nessa idade enxergamos que nada fizemos com aquele dom ou habilidade que trazemos de berço. Faltou disciplina, faltou persistência, faltou coragem, faltou ânimo, faltou força para quebrar a inércia. Invertemos as prioridades da vida, aos quarenta ainda valorizamos o que outras pessoas abandonaram aos vinte.
Nossas características podem parecer engraçadas, divertidas; mas não são! Sofremos ao constatar que perdemos a chave, ou o compromisso, ou a hora, pela enésima vez. Sofremos enormes sobressaltos quando algo sai errado no trabalho ou na escola; teríamos sido nós os culpados? E falamos ou fazemos sem pensar; e para consertar depois? Isso quando tem conserto; senão, arrastaremos a culpa por toda a vida.
A falha pode ser engraçada de tão grotesca. Ou seria se fosse ocasional. Mas não no nosso caso. Esquecemos porque nosso cérebro nos boicotou. Dissemos o que não deveria pois nosso cérebro não tem freios. Invertemos as prioridades porque nosso cérebro não sabe agir de outra maneira.
É engraçado para quem está de fora, nós sofremos genuinamente.
Nosso transtorno é muito sério e não podemos aceitar esse ridículo papel de bobo da corte que querem nos impingir.

Esse é o melhor texto que já li sobre o assunto, o que melhor traduz o que é ser TDAH. Obrigado!
ResponderExcluirEu também não enxergo nada disso como qualidade, somos o que somos apesar do tdah. Muitas vezes minha saída é rir das minha falhas como quando eu esqueço algo importante mas no fundo não tem graça.
ResponderExcluirPrimeira vez que estou comentando seu blog... Mas o acompanho desde o dia que descobri que tenho TDAH...
ResponderExcluirGosto de ler o que vc escreve porque além de ser um espelho, posts como este chegam a mim como conselhos...
Gratidão :)
Eu acho melhor assumirmos que temos algo de errado do que subestimar a doença e ainda achar que ela é uma qualidade. Fazer isso me parece dar lenha para cometer mais erros.
ResponderExcluir''Não acho que SEJA doente'' ai ai
ResponderExcluirSe vc é feliz consigo mesmo e "acha" que tem "um pouco" de TDAH, creio que vc precisa rever com cuidado seu diagnóstico. Um indivíduo com TDAH desconhece o sentido de "felicidade consigo mesmo" e não tem dúvida da presença dos efeitos nefastos da doença.
ResponderExcluirNo dia em que fui diagnosticado, após 34 anos de sofrimento, fracassos, destruição familiar e financeira, prejuízos materiais e humanos irreparáveis, além de dores físicas e psíquicas, eu chorei copiosamente ao descrever para o psiquiatra o "inferno desesperador" que era minha vida. E chorei ainda mais pela sensação de "pertencimento", ao descobrir, naquele instante, que eu não era o único, e que havia alguma esperança de resgatar o que restou da minha vida! A nomenclatura é absolutamente irrelevante (doença ou transtorno), pois o sofrimento e a tristeza são insensíveis a preciosismos semânticos ou acadêmicos. O importante é que TDAH destrói a vida e mata a alma (por vezes, o corpo também). Nada tem a ver com incompatibilidades pessoais com a estrutura social laboral capitalista, pois se manifesta em todos os aspectos da vida, sendo o fracassos profissional apenas um deles. O pior de todos é o fracasso humano/familiar/sentimental, pois não costuma haver reparo.
Esse artigo foi escrito exatamente para pessoas com a sua visão da doença. Saudações.